Mais de 40 anos de história transformaram Bel Air 51 em uma relíquia do norte do Brasil.
Na década de 1940 foi inaugurada uma das primeiras concessionárias Chevrolet do país, no interior de São Paulo, por um certo Miguel Palácio. À época, eram importados poucos carros por mês, por volta de cinco ou seis, e ter um carro era um luxo a que poucos tinham acesso. Proprietário de um Bel Air, Miguel à época levava seu neto à escola a bordo do automóvel, criando uma ligação muito especial entre a história do modelo e da própria família.
Mais de 40 anos depois, o advogado Marco Antonio Palácio Dantas, 45 anos, o neto do senhor Miguel, resolveu reviver as lembranças e adquiriu há pouco mais de dois anos o Bel Air 1951 desta reportagem.
Ele o reformou completamente até torná-lo um dos exemplares mais raros do Brasil. Para achar o carros dos seus sonhos, Marco Antonio teve de sair da cidade onde mora, Rio Branco, capital do Acre, e viajar até Marília, no interior de São Paulo, onde encontrou um exemplar que valesse à pena. O carro foi colocado em um caminhão cegonha e despachado para o Acre, onde seria feita a restauração.
Se restaurar um carro em uma cidade como São Paulo já é uma empreitada difícil, por conta da escassez de peças e mão-de-obra especializada, imagine no Acre. Ciente da dificuldade que passaria, Marco Antonio aceitou mesmo assim o desafio de deixar seu Bel Air mais vivo do que nunca. Para conseguir peças raras ou detalhes difíceis de ser encontrados na sua cidade, Marco Antonio contou com a ajuda de duas pessoas: o tio Vicente Angelo Frizzo e Norberto Jensen, proprietário da oficina paulistana Hot & Custons. Segundo Marco Antonio, toda a ajuda recebida foi de extrema valia. “Fui até São Paulo para conhecer Norberto, nos tornamos amigos e ele enviava pelo correio os itens que eu precisava”, conta o proprietário, que tratou de colocar tudo do bom e do melhor em seu Bel Air. No geral, o estado da funilaria e da parte externa estava bom, apenas frisos e o farolete acoplado na coluna do motorista, conhecido como caça-mulata, precisaram ser adaptados, bem como um kit da Continental para o estepe na parte de trás, que conferiu um aspecto mais clássico ao visual. As rodas de 15”, originais da Cherokee Laredo, montadas em pneus com faixas brancas, são a única parte do exterior que não remete à originalidade, mas agrega um ar de esportividade.
Por dentro, luxo é a palavra de ordem. Forrada em carpete e com bancos em couro, a cabine do Bel Air traz de volta toda a nostalgia da época em que foi fabricado. A modernidade fica por conta de um player da Sony e o sistema de som composto de quatro alto-falantes e duas caixas seladas no porta-malas, além de travas elétricas acionadas por controle remoto.
Para deixar a parte mecânica tão confiável quanto um zero quilômetro, o advogado recorreu a duas oficinas autorizadas, a V8 Veículos e a Fiat Comauto, localizadas em Rio Branco, que entraram de cabeça no projeto e montaram toda a parte mecânica, que funciona com um propulsor GM 6 cilindros 4.1, com ignição eletrônica e bobina da marca Mallory, cabos de velas de 8mm da marca Accel e sistema de refrigeração auxiliado por ventoinhas elétricas.
Para alimentar a bateria, foi adaptado um alternador de 120 Ampères de Vectra.
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