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HISTÓRIA DE VIDA
Revista:: Matéria "História de Vida"

Oftalmologista de Itapetiniga (SP) se apaixona ainda criança por um "Fordão", mas descobre, depois de adulto, que se tratava de um Erskine.

Paixões de infânica, muitas vezes, nos acompanham até a vida adulta. Até que chega o dia em que conseguimos compreendê-las melhor, e talvez até colocar algumas delas em nossa vida. No caso do médico oftalmologista Marcio Medeiros, de 43 anos, de Itapetininga, interior de São Paulo, a grande paixão da infância foi um carro, que com rodas gaúchas, bancos em couro vermelho e sem capota, rodava majestoso pela cidade guiado por Lauri Monteiro Fraletti, um antigo colecionador e um dos fundadores do Carrasqueiro Clube de Sorocaba. A época, por causa do tamanho e imponência do carro, Márcio o apelidou de "Fordão", sem imaginar que aquele clássico ainda faria parte importante da vida dele.

Durante o tempo em que morou fora da cidade para estudar, Marcio nunca deixou de lado sua paixão por carros antigos, tendo reformado muitos deles, como um Porsche Spyder, um Cobra e uma picape Ford F1 1948.

Quando voltou a morar na sua cidade natal, Marcio soube que os herdeiros de Lauri queriam vender os carros da coleção.

SURPRESA

Segundo o médico, aí veio uma grande surpresa: "Fiquei sabendo que o "Fordão" era na verdade um Erskine, carro de que nunca ouvira falar". E tratou de pesquisas as origens da sua nova aquisição. Por meio da Interner, ele descobriu que o nome Erskine, estampado na grade do seu carro, pertencia ao primeiro presidente da Studebaker, Albert Russel Erskine, que tinha o sonho de produzir um carro com padrões de conforto e precisão de construção europeus, mas com mecânica robusta.

BELEZA DE ONTEM, CONFORTO DE HOJE

O Erskine que ilustra esta reportagem é de 1929 e foi adquirido em bom estado de conservação, somente necessitando reparar alguns detalhes e receber algumas "melhorias". "Quando comprei ele ainda estava com as rodas gaúchas mas a pintura estava péssima, o bom é que praticamente não precisei funilaria pois estava em bom estado", conta o proprietário, que levou o carro até a Hot & Custons, de São Paulo, e deixou o carro aos cuidados de Norberto Jensen.

Por dentro, a parte de tapeçaria recebeu forração em couro nas cores preta e caramelo, mesma usada nos instrumentos do painel. A mecânica do Erskine já não era original quando foi adquirida por Marcio, usando o motor Dodge 318 que ainda o equipa e suspensão dianteira herdada de um Opala. Um sistema de direção hidráulica também foi adaptado, para dar mais leveza na tocada da caranga. O rendimento foi melhorado com a adoção de um novo sistema de alimentação, um carburador Holley 650 cfm, além de um módulo de ignição e distribuidor Mallory.

Todo o processo de restaurção e customização do carro durou cerca de dois anos e, segundo o proprietário, apesar de estar muito bom de andar e de não estar devendo nada em visual, o projeto ainda não está terminado. "Como com todo hot, nunca dizemos que está pronto. Sempre tem alguma coisa para melhorar", conta Marcio, que diz que já tem outros carros em vista para reformar, mas que com certeza o "Fordão" terá sempre um lugar especial na sua garagem, e na suavida!

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