Carro ícone dos anos dourados da década de 50 recebe visual renovado e motor de 550 cavalos para despejar potência no asfalto.

Uma das referências automotivas máximas dos anos 50 o Chevrolet Belair, representou como poucos uma era tão áurea dos automóveis em todo o planeta. Mas restringi-lo ao período conhecido como “Anos Dourados” chega a ser pouco para esse grande ícone, que além do apelo emocional e nostálgico que provoca até hoje sempre contou com o que tinha de melhor na indústria da época. Por tudo isso, não é difícil entender porque José Antônio, um advogado de São Paulo, se dedicou nos últimos três anos para recuperar um Belair e transforma-lo num belo e poderoso Hot Rod.
Quando foi comprada pelo rodder há alguns anos, a Belair 1955 duas portas, sem coluna, estava há 30 anos com o mesmo dono e, embora conservasse todos os detalhes originais, ela carregava marcas de desgaste do tempo, dada a quantidade de ferrugem e pontos podres na lataria.

Mas José Antônio não se importou, afinal, o sonho dele era ter uma Belair independentemente do estado de ‘vida’. Logo, um tratamento VIP para o Chevrolet entrava em questão. Em parceria com um amigo, também apaixonado por antigos, alugou um salão só para abrigar o carro e servir de teto para a longa reforma que viria pela frente. O trabalho teve início após a contratação de um funileiro, que, em seu contrato, tinha a obrigação de trabalhar com dedicação exclusiva ao carro durante oito meses, infelizmente, antes do término de seu trabalho, o funileiro faleceu e não pôde ver sua obra totalmente finalizada. Para isso, e como uma homenagem ao trabalho iniciado, Antônio contratou um novo profissional, que terminou o restante em mais quatro meses.
José Antônio não só é apaixonado por carros como também faz questão de pôr a mão na ferrugem. Além de fazer parte do trabalho sujo, projetou e executou várias das adaptações e soluções utilizadas no Belair. “Nos meus tempos de oficial do Exército Brasileiro trabalhei como engenheiro, o que deu bagagem para me aventurar com a mecânica”, lembra.
Com a carroceria em mãos, o trabalho pôde finalmente tomar seu rumo. Em parceria com Norberto Jensen, da HOT & CUSTONS, competente oficina de São Paulo, o rodder tratou de dar nova vida para a mecânica V8 do carro cinqüentenário. O chassi original do Belair for reforçado e ajustado para receber as rodas Center Line calçadas em pneus de Dragster Mickey Thompson e conservou a suspensão original, que ainda recebeu o reforço de um Kit da Energy Suspension.
O novo trabalho nesse setor deu-se pela instalação de feixes de mola redimensionados na traseira para agüentar o novo peso e potencial. O sistema de suspensão ainda conta com um toque extra de conforto, já que elas há um sistema com bolsas de ar para regulagem de altura, dotada de controle independente das rodas e compressor elétrico. O departamento de frenagem é outro que recebeu upgrade e passou a oferecer segurança máxima com a adoção de discos nas quatro rodas, assistidos por cilindro mestre de alumínio da Wilwood com cilindro de 1”. Todas a linha de freios foi feita em Aeroquip, que, além de garantir mais segurança, te, um grande efeito estético – ou você pensa que os freios não merecem uma perfumaria completa?
Devido ao reposicionamento da suspensão traseira, o espaço físico onde ficava o tanque de combustível foi afetado, exigindo a construção de um novo, confeccionado em aço inox e com medidas personalizadas.
Outro equipamento modificado é a coluna de direção projetada pelo próprio dono do carro. “A coluna tem como base os componentes de Opala, mas foi totalmente reprojetada. Dei um novo acabamento e tornei-a retrátil em caso de colisões, um importante item de segurança”, comenta Antônio. O sistema de direção recebeu ainda caixa de direção horizontal assistida hidraulicamente.
Por fim, o sistema de transmissão original deu lugar a equipamentos renovados, composto por câmbio de alumínio de cinco marchas GM, com embreagem de acionamento hidráulico e disco de 11”. O diferencial é o eficiente Dana 44, um dos favoritos dos hot rodders.
A preocupação com a parte mecânica, consumiu oito meses de trabalho e isso não foi obra de preciosismo. Segundo o proprietário, o conjunto mecânico precisava agüentar a máquina de cavalos que se alojaria sob seu capô, afinal, o motor Small Block Chevy V8 foi substituído por um Big Block Chevy V8 a álcool.
Além do novo e respeitável motor, toda a preparação deveria atender uma premissa básica, que, de acordo com o mecânico responsável pelo motor – Adriano Marques, da BPM Racing Motors – deveria oferecer potência e durabilidade. “De nada adiantaria um motor potente que quebrasse em poucos meses”, lembra o experiente mecânico. O Big Block possui comando de válvulas Crane Cams com tuchos mecânicos, coletores de admissão Edelbrock Victor Jr. E de escape Hooker Super Competion. O setor de alimentação é composto por um Metanol e filtro de ar esportivo preparado com balanceamento estático e dinâmico do conjunto, além de adequação das folgas.
A parte elétrica, que algumas vezes acaba passando despercebida em muitos carros, teve contribuição fundamental, indo além da funcionalidade. Os fios ficaram escondidos no cofre do motor e todo o chicótico elétrico foi confeccionado seguindo os padrões americanos de coloração. Como cada fio tem uma cor de acordo com sua função, evitam-se problemas futuros para a troca de componentes ou reparos. Tudo pensando num motor com visual limpo e qualificado.
“Eliminamos o emaranhado de fios pretos e vermelhos tão comuns em algumas instalações por aí”, afirma Wladimir Dias, da 12 VoltBoost. O conjunto elétrico ainda conta com caixa de fusíveis feitas sob medida e com circuitos individuais, alternador cromado One-Wire da Power Master, minimotor de arranque HighTorque da Power Máster, radiador em alumínio da Griffin Radiators, ventoinha elétrica dupla de perfil estreito Flex-a-Lite e módulo de ignição MSD 6AL, escondido sob painel. As lanternas dianteiras e traseiras também foram desenvolvidas pela equipe da 12 VOltBoost e contam com sistema de iluminação por LED, garantindo um charme extra ao Hot Rod. “Apesar da alteração, o esquema das lanternas é 100% reversível, e elas podem ser removidas sem deixar marcas”, informa o especialista.
O interior do Belair 55 também ganhou seu trato. No painel, foi instalado um conjunto de manômetros eletrônicos da Classic instruments. São eles velocímetro, marcadores de combustível, de temperatura, de pressão de óleo e conta-giros, que se encaixam perfeitamente no painel original, conseguindo um feito interessante, ou seja, moderniza-lo, mas sem descaracterizá-lo. O volante original foi substituído por um modelo que o próprio Antônio desenvolveu em parceria com a empresa Rosseti. Já a tapeçaria foi toda refeita em couro e os bancos dianteiros, elétricos, são especialmente projetados para o carro, usando armação de assentos do Alfa Romeo, assim como os traseiros.
No fechamento desta matéria, o Hot receberia um sistema de som, cuja ‘alma’ foi instalada num console montado sob o túnel da transmissão. “O console foi desenvolvido para acomodar uma tela de 7” na frente, os instrumentos da suspensão automática e um leitor de DVD. Tudo seguindo a linha clássica que o carro possui. Além disso, o projeto dos alto-falantes e amplificadores foi desenvolvido por meio de programas especiais de computação, garantindo perfeição de reprodução”, explica o respnsável pelo projeto acústico, executado pela Roadster Áudio.
Se por dentro do carro chama a atenção, por fora é que este Belair provoca os mais diversos sentimentos. A cor laranja, que além de muita preparação da lata exigiu quatro demãos de verniz e cinco de tinta, foi feita com um pigmento especialmente desenvolvido para o carro. Segundo o pessoal da Speed Officer, responsável pela pintura, e que também recuperou todos os frisos, a tonalidade é única: somente o Belair 55 apresenta essa cor arrebatadora.
O visual é complementado com rodas Center Line Convo Pro, forjadas, nas medidas 15x5”, na dianteira e 15x14” na traseira, calçadas com pneus Mickey Thompson 9x26” (frente) e 15,5x31” (atrás), respectivamente. O resultado do trabalho, que envolveu a mão-de-obra e o conhecimento dos mais diversos profissionais, além do envolvimento total do dono, é um Hot Rod capaz de roubar as atenções em qualquer evento e, principalmente, nas ruas, graças ao ronco forte dos 550 cavalos e ao visual agressivo.
Agora, José Antônio quer mais é curtir sua máquina enquanto vai planejando novas melhorias para motor e suspensão. Além disso, o advogado afirma que agora tem outro projeto na cabeça: “tenho também um Chevrolet 34 três janelas, que está comigo há 20 anos, e pretendo transforma-lo em um Hot Rod”, finaliza. Alguma dúvida de que mais um Hot Rod de babar vem por aí?
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