Ford Phaeton 1929 foi adquirido já restaurado por dentista paulista e recentemente passou por novas transformações, com ênfase na parte mecânica.
A vontade de adquirir um hot rod sempre foi muito forte entre os planos de vida do dentista Celso Augusto Sanseveriano. Durante um bom tempo, porém, o desejo não foi além de apenas uma enorme admiração por carros do tipo. Mas, de certa forma, não havia escapatória. Talvez por uma das boas ironias do destino ou simplesmente pura coincidência, o empurrãozinho final para reforçar a idéia de entrar de cabaça neste universo veio de uma maneira bastante providencial. Natural de São Paulo, Celso residiu há alguns anos nos Estados Unidos, em Detroit e Michigan, Estados que são considerados grandes potências desta modalidade automotiva no panorama mundial. “Como na época eu não tinha condições de ter um hot, comecei a pesquisar e ler muito sobre o assunto, que me fascinava cada vez mais. Quando retornei ao Brasil, um amigo apareceu por acaso com este Phaeton (pequena carruagem de quatro rodas, em português) em minha casa e queria vendê-lo. Não pensei duas vezes. Comprei na hora”, diz o dentista, que utiliza a máquina para momentos de lazer ao lado da família, tanto na capital, quanto no litoral paulista.
Celso já adquiriu este hot com a lataria e outros detalhes devidamente restaurados. Não satisfeito totalmente com a performance e segurança que o veículo apresentava, porém, resolveu elaborar um novo projeto de transformações, com ênfase na parte mecânica. O dentista procurou os serviços de Norberto Jensen, profissional com 25 anos de experiência do mundo dos hot rods e proprietário da oficina especializada HOT & CUSTONS, em São Paulo, que prontamente estudou todas as mudanças que seriam necessárias.
Diretrizes básicas do serviço definidas, foi hora de botar a ‘mão na massa’. O motor, um modelo V6 Vortec, da Chevrolet, que ainda estava original, com injeção eletrônica, passou por uma nova reforma minuciosa e bastante detalhista. Inicialmente, foram retirados todos os componentes de injeção, e instalados coletor de admissão Edelbrock de alumínio, quadrijet Holley de 450 cfm, distribuidor, bobina e sistema de ignição eletrônica MSD 6 AL (com limitador de giros), filtro de ar também da Edelbrock e novos cabos de vela. O escapamento, construído exclusivamente para o Phaeton, é dimensionado e forma um conjunto predominantemente agressivo. “Com todas estas alterações no ‘centro nervoso’ do carro, podemos dizer que este street rod se caracteriza pela alta performance. Depois desta repaginada, o motor conta com 335 hp, potência de sobra para ‘empurrar’ seus quase 1200 quilos”, diz Norberto.
As suspensões dianteira e traseira são de Opala. Foram readaptadas e redimensionadas para alcançar a robustez condizente com o porte do veículo. Os amortecedores são retrabalhados: possuem dupla ação e foram encurtados. O sistema de direção, que também era de Opala, foi trocado por um sistema longitudinal da Ford, que funciona por sistema hidráulico. O câmbio mecânico de cinco marchas, com acionamento hidráulico de embreagem, é o original do motor V6 Vortec.
O interior da carroceria conta com painel de instrumentos da Cronomac, da linha Racing. Há velocímetro, conta-giros, indicador de combustível, temperatura de água, e sinaleira. O volante é um modelo Shutt, com a coluna de direção em aço inox e a pedaleira é da Mach. Os bancos, em couro preto e marrom, possuem o logotipo tradicional da Ford bordado em vermelho. Todo interior do carro é revestido em couro preto e carpete. Na alavanca de câmbio, a manopla tem o formato de um tambor de revólver.
Originalmente conversível, este Phaeton não conta mais com a capota. A carroceria é a original, com as quaro portas e os pára-lamas inteiriços bastante largos, que foram pintados de preto. Nas peças, estão acopladas os piscas e lanternas originais. A parte externa foi alisada com as maçanetas, que anteriormente ficavam na parte externa, retiradas e adaptadas na parte dentro. Os pára-choques em formato de duas lâminas também são originais e, como boa parte das peças, foram novamente cromados. O par de retrovisores são réplicas que seguem o estilo original. O tanque de combustível, que anteriormente ficava na parte frontal da carroceria, foi deslocado para debaixo dos bancos. As rodas são aro 15, da Binno, de liga leve BBS, calçadas com pneus CooperCobra, de medidas 225/60 na frente, e 295/60 na parte traseira. Na tampa do radiador, o enfeite é um pássaro cromado com as asas abertas.
Brevemente, está nos planos de Celso uma reforma completa da parte interna e também na pintura. “Sou um perfeccionista nato. Nunca estou satisfeito. Quero pintar novamente o carro de verde, mas desta vez em um tom mais ‘Jaguar’. O revestimento interno também será todo trocado, com detalhes de acabamento mais requintados e elaborados, baseados novamente no Jaguar. Com certeza, proporcionará uma mistura ainda mais bombástica”, comenta.
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