HOME
TOQUE DE CLASSE - BEL AIR 1957
Revista:: Matéria "Toque de Classe"

Naturalmente elegante, Bel Air 1957 que é o sonho de infância do analista de sistemas paulista, recebeu novo motor Big Block 454, que alcança 640 hp de potênica.

Bel Air 1957

Mais do que apenas simples admiração, o caso de fanatismo ‘patológico’ do analista de sistemas Norberto Jensen, por modelos Belair se iniciou na mais tenra infância. Logo durante as primeiras perguntas desta entrevista, lembrou imediatamente de como se sentiu na época em que viu pela primeira vez um destes modelos clássicos da Chevrolet, com direito a detalhes emocionados de como admirou cada ângulo do design requintado e imponente do carro, acometido por uma espécie de ‘transe’.

O tempo passou, Norberto se tornou um entusiasta e construtor de hot rods (atualmente é proprietário da oficina especializada HOT & CUSTONS, em São Paulo. Talvez em virtude da convivência freqüente nesta atmosfera nostálgica, em certo momento decidiu que estava na hora de correr atrás novamente de seu sonho de juventude. ‘Há cinco anos, fui picado novamente por um ‘bichinho saudosista’ que me levou a pensar seriamente em adquirir uma Belair Hardtop (modelo esportivo, de duas portas e sem coluna). Demorou um pouco, mas conseguiu achar esta, ano 1957, por um preço convidativo. Ao chegar no local, tive ainda mais uma grata surpresa. Vi que o dono era um grande amigo de infância. Fechamos negócio na hora’, afirma Norberto, que faz questão de categorizar sua máquina atualmente como um híbrido entre o ‘custom’ e o ‘muscle car’.

DUAS ETAPAS
Bel Air 1957

Inicialmente, a Belair, que estava com a pintura raspada e totalmente desmontada, foi levada a uma oficina de funilaria e pintura de amigos de Norberto, onde ficou por aproximadamente 14 meses. A intenção era deixar a máquina com um visual mais ‘vintage’, exatamente do jeito que estava quando foi concebida na década de 1950. A tonalidade escolhida foi ‘vermelho vitória’.

Posteriormente, Norberto recebeu a máquina na cidade onde morava, Indaiatuba, no interior paulista, e começou a primeiro ciclo de mudanças mecânicas, que levou quase oito meses. O motor escolhido, em princípio, foi um Dodge V8 318, retirado de um Charger, com câmbio e diferencial também do mesmo carro. Norberto então se mudou para a capital paulista, onde começou a preparação especial feita pela BPM Racing Motors, sob responsabilidade do preparador Adriano Marques. Foram instalados dois quadrijets Holley, de 390 cfm, com coletor de admissão modelo Tunnel Ram, ignição importada, comando Crane 296°, além de escapamento dimensionado em aço inox e sistemas de polia Poly V. Esta mecânica chegou a 340 hp em dinamômetro e o carro participou, em 2003, de uma etapa do Campeonato Paulista de Arrancada, no qual obteve o sexto lugar, com tempo de 15,2s..

NOVOS HORIZONTES
Bel Air 1957

Em busca de uma linha mecânica mais agressiva, porém, Norberto resolveu este ano dar uma repaginada e elaborou a segunda etapa de transformações. Ele realizou pessoalmente toda montagem e adaptação das peças, e deixou novamente o acerto do ‘coração’ da Belair aos cuidados da BPM. O motor foi trocado por um modelo Chevy Big Block 454, geração IV. O comando, corrente de comando, tuchos e molas foram trocados por peças da marca Crane. O carro recebeu também um coletor de admissão de alumínio para apoiar um quadrijet Holley, com 850 cfm que utiliza segundo estágio mecânico. O carro conta com duas bombas injetoras de combustível.

Foram instaladas também tampas de válvulas Edelbrock Elite Series, cabos de vela da Taylor de 8.8 mm, na cor vermelha. O distribuidor é o modelo HEI da GM (modelo que integra bobina de ignição e distribuidor em uma única peça). Os escapamentos são tubulares originais, com silenciosos Silempro. A linha de combustível recebeu um filtro com elemento descartável da marca Summit. O sistema de acelerador, molas, cabo e pedal são de alumínio da marca Lokar. O capô foi cortado para que um scoop Mr. Gasket, de 3 borboletas, ficasse à mostra. O motor recebeu também um ‘punch’ extra, com um kit de nitro da NOS, que injeta cerca de 200 hp aos 440 hp do motor.

O radiador é da marca Griffin, em alumínio. O câmbio é u GM, também em alumínio, com cinco marchas e acionamento hidráulico. O diferencial continua de Dodge, com tampa de alumínio RAAD. A suspensão dianteira é original. Todas as buchas, pivôs e terminais são da marca Energy. O conjunto de direção é hidráulico, com coluna de Dodge.

As rodas aro 15 são modelo palito, calçadas com pneus da marca americana Jetzon, de medidas 275/60 na parte traseira e 225/60 na dianteira. Há faróis da Zopp e lanternas originais.

De acordo com Norberto, externamente os demais detalhes ainda são totalmente originais, com destaque para o logotipo tradicional da Chevrolet na grade frontal e o par de ‘foguetes’ cromados que adornam o capô, com tamanho e formato exclusivo do modelo 1957.

Bel Air 1957
ELEGANTE

Na parte interna, a Belair conta com visual bastante arrojado. O painel ainda é o original, com mostradores, indicadores, velocímetro e relógio de horas da época, que ainda funcionam. Sobre a peça, há manômetros da Auto Meter, conta-giros com shift light, pressão de óleo, combustível, temperatura de água e marcador no nível de combustível. Os bancos dianteiros, modelo concha reclináveis da San Marino, foram colocados para ressaltar um pouco mais a aparência de competição. Entre eles, está acondicionado o cilindro de nitro. Os cintos de segurança também são da San Marino, de quatro pontos. O teto e as laterais têm forração em couro preto. O volante é de alumínio, modelo SS. Norberto ainda procura por um rádio original para completar a lista de mudanças internas, mas ainda não encontrou o aparelho. Com isso, foi colocado temporariamente um CD player. Como próximas etapas, o analista de sistemas ainda pretende realizar melhorias na tração traseira e colocar pneus maiores. Novas participações em campeonatos de arrancada também não estão descartadas. Mas Norberto revela que não tem maiores pretensões quanto a isso. “Funcionaria mais como uma forma de testar, com mais eficiência, a potência do carro”, diz.

Hot & Custons 2010 - Todos os Direitos Reservados

v