Confira este Citroen 1951 restaurado. Muito charme, potência e história para contar.
Quando jovens, um grupo de cinco amigos investiu todas as economias no veículo da montadora francesa. Na época, apenas um deles possuía habilitação de motorista, mas o Citroën certamente se transformou em mais um integrante daquele grupo. Com a idade chegando e alguns trabalhos e outras responsabilidades aparecendo, o número de viagens e “aventuras” foi diminuindo. Até que um dia, o grupo acabou por decidir se desfazer do tão querido veículo. Algum tempo depois, dois irmãos remanescentes do grupo tiveram a oportunidade de adquirir um Citroën 1951 idêntico ao que possuíam. Durante muito tempo o novo veículo permaneceu intacto e com toda a sua originalidade preservada. Porém, há três anos, eles resolveram dar vida nova ao carro, talvez tentando reviver o querido companheiro de aventura de anos atrás.
Os proprietários do carro são dois empresários paulistanos que preferiram não se identificar, mas revelaram todos os segredos do Citroën. Segundo eles, quando o carro foi adquirido, tudo funcionava perfeitamente, mas com o passar do tempo, o Legere começou a apresentar defeitos. “Para poder contar sempre com o carro resolvemos restaurá-lo”, contam.
A funilaria foi feita simultaneamente com a mecânica do carro. Para a lataria, foram os próprios irmãos que resolveram botar a mão na massa, ou melhor, na lata, em sua fábrica. Já a parte pesada ficou a cargo de Norberto Jensen, da HOT & CUSTONS, de São Paulo (SP) “Enquanto eu tratava do chassi e motor, eles restauravam a lata”, explica Norberto. “Recolocar a carroceria em cima do chassi foi o que deu mais trabalho”, relembra.
Praticamente toda a parte inferior do veículo veio de um Omega 95. O chassi original foi substituído por um monobloco, retirado do carro citado. Totalmente restaurada e reforçada por Norberto, a peça recebeu uma caixa de direção hidráulica e sistema de suspensão independente na dianteira e na traseira. “O carro é pesado, este tipo de suspensão vai trabalhar melhor”, garante. A caixa de câmbio é uma de cinco marchas, também do Omega.
Para o acerto final entre carroceria e monobloco, Norberto não queria fazer alterações na lataria. “Não queria tirar as características originais”, diz. Para isso ele adaptou toda a parte inferior para que encaixasse perfeitamente. “Ajustei o entre-eixos e a bitola”, localiza. “Ficou perfeito”, diz. O cofre recebeu um motor 2.2 litros com injeção eletrônica. A peça se manteve original, mas ganhou um “banho de loja”, como Norberto gosta de definir. “Instalei cabos de vela importados, tampas de válvulas cromadas e um filtro de ar esportivo”, diz. Freios a disco nas quatro rodas completam a parte de aço. Por fora, o Legere apresenta um visual sóbrio. A cor preta original foi mantida e faz contraste com todos os detalhes cromados que o veículo recebeu. A grade frontal, assim como no carro original, ostenta a logomarca da montadora, que também está presente nas rodas, capô e até na ponteira de escape. “Todos esses itens foram feitos pelos irmãos na fábrica deles”, explica Norberto.
Todo interior recebeu acabamentos na cor cinza o que garantia uma sobriedade ainda maior para o carro. A instrumentação do painel e os bancos revestidos em couros também forma retirados do modelo da Chevrolet. Norberto e sua equipe ainda instalaram vidros elétricos, manopla, volante esportivo e um sistema de som. Com o carro recuperado os dois irmãos o usam para passeios aos finais de semana.
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