Resgatado em estado precário no interior paulista, belair coupé 1957 ganha nova vida com restauro e motor v8 318.
Na verdade, a intenção daquela viagem a águas de São Pedro (SP), não era a de encontrar o carro dos seus sonhos. Aldo César Dian, gerente de Logística, da cidade de Campinas, e sua esposa Lucila, estavam realizando um relaxante passeio com o seu Chevrolet 1941. Mas como o destino é algo imprevisível, conversa vai, conversa vem, Aldo confidenciou a uma pessoa que era louco para adquirir um Belair. Esta pessoa indicou em Piracicaba, um senhor que possuía um modelo coupé 1957, em estado precário, e que estava á venda. Não era a hora de investimentos em paixões. Mas nem sempre existe uma segunda chance para um amor à primeira vista. Realmente não era a hora de comunicar à esposa: “Eu quero este carro!”.
Comprou o carro, pagou barato e ainda conseguiu fazer em três vezes. O carro era originalmente dourado, motor 6 cilindros e câmbio 3 marchas na coluna.
O carro foi totalmente desmontado. O belair estava todo ralado dos dois lados, bem podre mesmo. O Chevy foi totalmente reconstruído e por muita sorte estava com todos os frisos originais no lugar. Depois que a funilaria ficou pronta, era hora de apresentar o mais novo membro da família a sua esposa. Ela atendeu prontamente o ato.
Inspirado pelo bom e velho rock and roll, o carro foi pintado na cor vermelho tornado e vale um detalhe: foi pintado duas vezes. Da primeira vez o pintor errou a cor e não ficou do jeito que o proprietário queria. Resultado: Pinte de novo!
A carroceria recebeu tratamento especial para não ficar à disposição do vírus da ferrugem. Todos os frisos foram remontados e a única coisa que teve de ser adquirida foi o bigodinho tradicional de um dos modelos mais clássicos da marca norte-americana. Toda a mecânica original foi retirada e a intenção era montar um Street Rod. Para isso, o carro foi levado ao especialista Norberto Jensen, da empresa HOT & CUSTONS. Foi utilizada toda a mecânica derivada do Dodge. O motor inicialmente instalado era de um modelo a gasolina, mas que apresentou muitos problemas. Acharam então um motor Dodge V8 318 polegadas a álcool, o mesmo que equipava os últimos caminhões da marca. Aliás, um motor que é o sonho de muitos. O propulsor foi totalmente retificado, os cabeçotes são originais e o comando utilizado é um Crane assimétrico de 278º - o resultado foi um marcha lenta pouco irregular, mas linda de se ouvir. Os coletores de escape permanecem originais de ferro fundido e ficam muito bem acomodados dentro do cofre do motor Chevrolet.
O conjunto de alimentação é o original do motor Dodge a álcool. O coletor de admissão possui diferenças com relação ao motor a gasolina. O modelo a álcool possui uma altura maior e uma maior abertura dos dutos. O carburador é o original DFV 446 especial para uso do álccol.
A parte de ignição também permaneceu original e apenas por capricho foram utilizados cabos de vela da Accel 8.8 mm, revestidos em silicone. A bobina também é da mesma marca. Aliás, o capricho fou um item muito importante na montagem do motor: o filtro do carburador da Edelbrock faz um belo conjunto com as tampas de válvula da mesma marca. O motor foi todo pintado na cor do carro. As mangueiras são especiais revestidas em aço trançado e terminam em caprichadas conexões anodizadas em vermelho. O hidrovácuo também foi pintado na cor vermelha. Foi adaptado um alternador moderno, justamente por causa do valente sistema de som que o carro possui.
Não há como passar imune diante daquele rabo de peixe com os frisos características do final da década de 50, um estilo muito peculiar. Para bater o martelo na categoria Street Rod, o carro recebeu um conjunto de rodas da Mangels, modelo Orion. Na dianteira possuem aro 15 com tala 8 e na traseira possuem aro 15 com tala 10. Na dianteira foram utilizados pneus Continental 195 na altura 60. A robusta traseira conta com pneus Cooper Cobra na largura 285 com altura 60.
O sistema de transmissão está com a embreagem original. O conjunto câmbio e diferencial foram derivados do Dodge. Apenas houve um novo trabalho no eixo cardã, devido à distância do carro ser menor que a do Dodge. Na traseira os freios são a tambor e na dianteira foi adaptado o sistema com pinças e discos ventilados do Dodge. A suspensão dianteira conta com amortecedores especiais.
Os bancos inteiriços foram revestidos caprichosamente em couro vermelho e branco, as laterais de portas foram reconstruídas e o painel conta com os instrumentos e rádio originais da época.
A alavanca de câmbio é grande e a manopla é uma bola de sinuca preta nº 8.
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